Como nasce uma teoria

Mais uma vez estava ali, diante de uma folha lunática em branco. De onde vinha a sua inspiração? Ou melhor, de onde não vinha? Estivera muito ocupada nos seus últimos anos lunáticos e não sobrara nem tempo para pensar. Às vezes sentia seu membro superior pender para um lado… Pesado demais com tanta “coisa”, mas agora parecia estar cheio de borboletas ou pó lunático. Estava ela se tornando um ser normal como a maioria dos terráqueos? Não, não podia ser. Apesar de a vida terráquea possuir coisas que de que ela jamais poderia experimentar, mas gostaria muito, quase tudo o que ela observara até hoje lhe lembrava atitudes mesquinhas e egoístas. Desde a sua criação e por todo o período como aprendiz lunático aprendera que ser normal não era algo bom, ao contrário dos terráqueos, que se gabavam por se identificarem como seres tão normais a ponto de serem rotulados com uma espécie de código de barras. Não, não podia chegar a esse ponto! Jamais uma lunática chegara a um nível tão baixo e ela não seria a primeira.

Pobres terráqueos! Pensava aflita. Não conseguia imaginar sua existência tão regrada, limitada e previsível… Deveria existir alguma forma de livrá-los de tal prisão… O que era mesmo aquilo que os faziam tomar tanto atitudes incrivelmente “belas”, como as piores que sua visão já havia lhe permitido?.. Cérebro! Isso, prisão cerebral!

Oh! Então era isso. Já estava completamente decidida. Com aquela folha de asas de borboletas lunáticas escreveria uma carta destinada aos seus admirados (e às vezes admiradores) terráqueos. Devia algo a eles afinal, pois se sentia completamente lisonjeada com os olhares apaixonados dos enamorados agradecendo-lhe pela sua incrível beleza e pelo simples fato de estar ali naquele momento.

Escreveu. Escreveu e selou com pó dourado de arco-íris lunático. Cuidadosamente colocou a folha de asas de borboleta novamente numa borboleta lunática, e, esta partiu em direção a vida terráquea.

Durante a sua aproximação, a borboleta percebeu uma súbita agitação por parte dos terráqueos: no outro extremo de sua azul vida terráquea algo se movimentava ferozmente… E muitos terráqueos eram cobertos por aquele ser malvado e impiedoso. A “pequena” borboleta lunática não resistiu observar tal horror, desistindo de sua missão e voltando a paz de seu lar lunático.

Algum tempo depois, e de acordo com a contagem terráquea, dentro de algumas horas, ou nem isso, toda a azul vida terráquea já sabia do incidente, chamando-o de “tsunami”. Mas, enquanto isso, do outro lado da azul vida terráquea, um terráqueo que não possuía a característica da normalidade observava atentamente a vida lunática. Era tarde demais: ele presenciara tudo, desde o momento sem inspiração até a partida e volta da borboleta lunática.

Não existia mais volta: a partir desse momento nascia a teoria do caos.

Agora, se você não entendeu bulhufas, tente assim:

Um sistema dinâmico evoluindo a partir de ft indica uma dependência estreita entre as condições finais em relação às iniciais. Se for arbitrariamente separado um ponto a partir do aumento de t, sendo um ponto qualquer M aquele que indica o estado de ft , este mostra uma sensível dependência das circunstâncias finais a partir das iniciais.

Portanto, havendo assim no início d>0 para cada ponto x em M, onde na vizinhança de N que contém x exista um ponto y e um tempo τ temos :

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Importante: Esse post não teria se concretizado sem a incrível explicação do meu grande (nem tanto assim) amigo Felipe sobre a teoria do caos, até então desconhecida por mim.