Lembro-me perfeitamente do primeiro dia que te vi. Eu sei que sempre esteve lá, mas confesso que nunca teria reparado não fosse um empurrãozinho do destino. Lembro-me de ouvir o teu nome e só. Você pareceu não gostar muito de mim, por algum motivo que talvez um dia venha confessar, mas se manteve perto. Muito perto, mas tão distante. Eu sentia uma vontade sem explicação de que me aprovasse, e tentei de tudo pra te ganhar. Comecei por tentar ser mais educada e menos desastrada; mais responsável e menos impulsiva; mais séria, inteligente, menos tagarela, menos eu. Mas nada que eu fazia era o bastante pra te convencer de que eu valia à pena, e desisti. Desisti e continuei com a minha vida, tentando esquecer que te tinha como espectador.
Mas você não se foi. E eu já estava acostumada com a tua presença distante quando se aproximou, a passos lentos e com sapato de algodão. Não vi chegar e não sei quanto tempo se passou, mas estava aqui comigo. Não sei o que te fez mudar de idéia, ou talvez nunca tenha mudado. E você se manteve perto. Perto e não mais distante, ao meu alcance. Ao alcance dos meus olhos, das minhas mãos. Perto. Perto o bastante pra me assustar. Perto o bastante pra eu reparar no teu sorriso cheio de dentes. Perto o bastante pra me ouvir murmurar que te quero para sempre aqui comigo.
Perto o suficiente para eu nunca mais te querer longe.
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♪ Biquíni Cavadão - Você existe, eu sei