POA


Carros vermelho-alaranjados colorem as ruas onde ônibus sem cor param enfileirados. Botas, lenços, cachecóis, polainas, muitas polainas, e casacos parecem fora do lugar num dia quente que deveria ser frio. Faixas de pedestres enfeitam ciclovias sem bicicletas. Igrejas imponentes com esculturas que assustam crianças chamam atenção. Construções antigas, praças e parques sugerem clima nostálgico. Pelas ruas paira a lembrança de guerras das quais não conheço a história. No sul, água e calmaria. Na água, barcos e vento gelado.

Por todo lado, faixas de pedestres não sinalizadas, churros, crepe e lancherias. Calor, água, Engenheiros do Hawaii, livros e pés doloridos. Dias quentes e cansativos, noites frias e longas. E o mercado municipal. O mercado alvo do incêndio cujo fogo começou a queimar minhas lembranças tão recentes. O mercado onde estive por duas vezes, sonolenta e feliz, cansada e triste.

Quatro dias na cidade onde Quarto de Hotel teve outro sentido e chimarrão é como coca-cola. Quatro dias cujo único saldo exato é duas certezas: nunca mais vou ouvir Anoiteceu em Porto Alegre da mesma forma; e gosto de música gaudéria.