Medo

_ Aliel, eu tenho medo.
_ Eu também. Tenho medo do futuro, do amanhã. Tenho medo de para sempre viver nesse seu mundo e nunca mais poder retornar ao meu. Tenho medo de me acostumar e me acomodar aqui, pensando sentir felicidade. Tenho medo de ser consumista, de ter Orkut e Twitter. Tenho medo de viver aqui como qualquer outro, esquecendo as minhas origens e negando os meus princípios. Tenho medo de fazer parte da “massa”, de perder minha personalidade e ser apenas mais uma. Tenho medo de ser taxada de normal, o que não é nenhuma vantagem considerando o que geralmente é normal por aqui: a corrupção, a consumismo, a violência... Tenho medo de um dia deixar de acreditar num amanhã melhor, enxergando nada além do meu próprio umbigo. Tenho medo de um dia acreditar que as coisas são assim porque tem que ser. Tenho medo de não acreditar nas pessoas, e em vez de ver as suas qualidades, enxergar apenas os defeitos. Tenho medo de perder a simplicidade nos atos e palavras. Tenho medo de acreditar que tudo nesse mundo está bem. Que tudo está como deveria estar. Tenho medo de não sentir mais prazer com a música, as cores, e as letras. Tenho medo de acreditar em tudo que desacredito e desacreditar de tudo que acredito. Tenho medo de não ser mais eu.
_ Ah, não.. Eu estava falando só daquelas integrais, hiperbolóides, e notações polonesas reversas com lista ligada.
_ Ah...