O Acre existe – Parte I


Ela já conhecia quase todos os lugares do mundo terráqueo, mas esse definitivamente parecia diferente. Ele já estava cansado de andar desviando de arbustos e ter que carregar toda aquela parafernália tecnológica que insistiu em levar. O lugar era isolado e não existia qualquer tipo de comunicação disponível. Ekim já estava desistindo e procurava com os olhos um lugar para armar a barraca, resmungando alguma coisa que só ele entendia.

- Aqui não é um bom lugar.

Ele, tomado pelo susto, ela pela curiosidade, voltaram-se para a voz e depararam-se com uma figura curiosa. Tinha os cabelos preto-azulados e seis dedos em cada uma das mãos e pés. Ekim já tremia e segurava Aliel pelo braço. Ele não entendia a língua, mas Aliel sim.

- Não pretendíamos ficar aqui, mas já que aparentemente conhece o lugar, poderia dizer onde estamos?

- Nas proximidades de Akakor.

Akakor? Sim, Akakor (ou Akator se preferir). Aliel lembrava-se se alguma vez ouvir esse nome. Algo nos olhos daquele terráqueo dizia que ele era diferente. A aparência já bastava para denunciá-lo, mas ele tinha algo mais. Depois de andar mais algum tempo (Ekim disse se tratar de horas), encontraram um lugar que o terráqueo disse ser seguro. Ekim quase nem esperou a barraca ser montada para entrar e dizer um “boa-noite” para Aliel e depois acenar timidamente para o outro. Era noite, e Aliel não dormiria, como uma verdadeira lunática. Aproveitou o momento longe de Ekim e todo o seu medo, em sua opinião, infundado para conversar como o ser que se disse Tatunca Nara.

Naquela noite descobriu algumas coisas importantes, mas só uma delas a deixava realmente preocupada: ter que deixar, mesmo que por pouco tempo, Ekim só com Tatunca Nara. Não havia escolhas, e se queria um dia voltar para seu mundo teria que primeiro passar por cada pedaço de chão do mundo terráqueo, e sabia que se essa oportunidade passasse, da próxima vez estaria só. Quem diria? Aliel, a lunática, querendo companhia... Ela mudara muito depois de Ekim, mesmo não querendo admitir, mas essa é outra longa estória.

Segundo Tatunca Nara, a alguns quilômetros dali existia o reino de Akakor, que possuía a maior riqueza já conhecida de todos os mundos: o conhecimento. Sim, Aliel já ouvira falar sobre Akakor, mas imaginava tudo isso não passar de mera fantasia. Precisava convencer Ekim ficar, já que Tatunca Nara disse ser um lugar não muito amigável aos terráqueos "comuns". Depois de um bom tempo juntos, Aliel não via mais Ekim como um simples terráqueo, muitas vezes mais lunático que a própria, mas não queria colocá-lo em mais perigos por sua causa.

--

Texto em homenagem ao Jow e sua prima. Para saber mais sobre Akakor (ou Akator): aqui e aqui.

♪ Detonautas - O dia que não terminou