É tudo isso, mas é só isso


É tudo sobre aquela coisa que nasce aqui dentro, e cresce por vontade própria. É tudo sobre aquela coisa que nasce aí dentro, que chega aqui vindo de dentro pra fora, que me atinge, e é tudo sobre isso, e é tudo sobre aquilo. É tudo sobre aquela mão acenando dizendo “tchau”; sobre aquele sorriso que já previa e deixava saudades. Sobre aquelas lágrimas e aqueles lenços oferecidos. É tudo sobre aquelas noites mal dormidas e aqueles chocolates na hora do jantar. Sobre os últimos bancos daqueles ônibus nos fins de tarde. E é tudo sobre aqueles livros lidos em pé, no ponto, na fila.

E é tudo sobre aqueles desenhos mal pintados, aqueles cartazes coloridos, e aqueles poemas com rimas a mais. É tudo sobre aqueles muros pichados que gritam. E é tudo sobre aquela cegueira transitória naquela chuva de verão. Sobre aquela bola que não deveria ter ido além do muro. É tudo sobre aquelas amoras colhidas no pé, sobre aqueles morangos gigantes, e é tudo sobre aquela janela, antes preta, agora azul.

É tudo sobre todos os retalhos, sobre todas as costuras, sobre todas as coisas. E é tudo que está aqui dentro, que sai por conta própria, que chega aí no sentido de dentro pra fora, que te atinge, e é tudo sobre isso, e é tudo sobre aquilo.

E é tudo isso, mas é só isso.