Nada estraga 3x4


A humanidade estava em perigo, mas tínhamos uma fortaleza. Uma tempestade viria, e o rio Ubuntu (que curiosamente ficava na África) transbordaria, acabando com tudo e todos. Se sobrevivêssemos, provavelmente ficaríamos boiando numa espécie de líquido estranho, como naquele filme Matrix, dentro de algo que me parecia com a Coração de Ouro (pelo menos com a imagem que tenho em mente). Enquanto o Irmão Caçula checava a previsão do tempo a cada minuto e o Irmão Mais Velho verificava a inclinação de alguma poltrona, eu estava preocupada com a conta de energia elétrica no final do mês. Como pagaríamos toda a energia que aquele trambolho tecnológico poderia gastar?

A tempestade não veio, e fomos nos divertir na Terra do Nunca. Havia uma barraquinha de doces. O favorito de todos era um de laranja e mel, que eu (da intriga da oposição) não quis experimentar. Mas, enquanto me divertia comendo doces no espeto (?) e deixava uma guriazinha de olhos verdes brava por apertá-la demais enquanto a abraçava; e o Irmão do Meio usava uma espécie de tablet gigante para fazer sei-lá-o-quê, o Irmão Caçula estava dentro da casa de madeira, dentro de um dos quartos perto da cozinha, dentro de uma barraca (como o retrato da Bisa Bia encontrado por Bel), ouvindo a previsão do tempo. O som que saía do rádio antigo era semelhante ao ouvido pelo matemático John Nash em A Beautiful Mind numa de suas crises esquizofrênicas na cabana perto da sua casa.

E então eu ouvi 3x4. Não, nem despertador é capaz de estragar 3x4. Você estava errado, HG.

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Ao som de 3x4 - Engenheiros do Hawaii